A nova FAIA
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Situada não já no fundo da estreita bacia, mas numa pequena encosta
entre o Prado e o Távora, que ali tem grande extensão de água, da
albufeira que a Barragem do Vilar ali entacou, a partir de 1965, desafia
em graciosidade paisagística a colina do Senhor da Aflição, que se posta
a sul.
A norte fica o Oitão em ascenção cada vez mais acentuada. Fica a povoação
localizada no extremo oeste do concelho de Sernancelhe, a 8 quilómetros da
sede. Tem actualmente 169 habitantes num conjunto de 63 fogos e conta 170
cidadãos
eleitores. |
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A velha Faia jaz sob as águas, por obra e graça da Barragem do Vilar,
perspectivada por um poder económico condicionante de um poder político
instalado, que, sem olhar a meios, sacrificou uma povoação, sem que os
benefícios viessem a compensar, quanto mais a ultrapassar, o ónus dos
custos.
Resta uma velha casa sobranceira ao lençol de água que ali se espraia e
espelha, propriedade da freguesia, e a Igreja Paroquial. Mas esta foi
transportada pedra a pedra para o novo local e agora circunscreve em
torno de si todo um novo povoado, gaiatamente implantado e
devidamente
zonado e ordenado. |
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As casas, embora ocupadas a título gratuito pelos Faienses, eram
propriedade da EDP – Electricidade de Portugal-, que as recebeu das
empresas que a antecederam e que só recentemente as transmitiu à Câmara
Municipal, que, por sua vez, as transferiu para propriedade dos
residentes.
São de traça bastante igual, em que se
destaca o granito regional e documentam obra do terceiro quartel do século
XX, inspirada nos parâmetros arquitectónicos do Estado Novo. Agora, com o
advento da modernidade, sobretudo por via da emigração, vão-se
edificando outras de novas feições, incluindo neste grupo a sede da
Junta de Freguesia,
no meio do povo e o complexo de diversão, à entrada, para quem vem da
estrada nacional nº226. |
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A Igreja Paroquial é dedicada a S. Martinho, cuja festa ocorre a 11 de
Novembro. É obra de boa cantaria e tem altar-mor sumptuoso, de linda
talha dourada, bem como os altares laterais, e tem a traça dos templos
que a Universidade mandou edificar. Esta instituição teve por ali, aliás
com em toda a região, muitos foros e propriedades, sendo estas últimas
assinaladas pelos
marcos graníticos com as letras “DE.V.” ou V DE – De Universitate, da
Universidade.
A frontaria é elegante com frontal triangular, denunciando um estilo
renascentista com marcas do jesuitismo.
Lateralmente, mas junto à cabeceira, levanta-se o campanário de um só
muro, com duas ventas e respectivos sinos. |
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A composição do imóvel fica mais ajeitada com a sacristia exterior também
ela de elegante traçado. |
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Sobre o rio calmo, ou melhor sobre as águas paradas e azuis da
albufeira, como que se debruça uma branca e pequena capela entre
oliveiras, qual miradouro delicioso e aprazível.
Na depressão que se cava ao fundo do povoado, um idílico e devoto
tabulado se implantou, banhado pelas águas remansadas e centrado pelo
obelisco da Virgem, a encaminhar os crentes e
curiosos para a dita capelinha do Senhor da Aflição, que tem ruidosa festa
popular e religiosa no terceiro domingo de Agosto ou dia contíguo. |
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Apesar da submersão a que, pelos vistos, foram sujeitos muitos vestígios
arqueológicos, é na Faia que se pode examinar a maior necrópole de
sepulturas cavadas na rocha (são 21) que se conhecem no concelho. |
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A Quinta da Alagoa (com a casa da Torre), hoje servida pela corrente
eléctrica e obrando uma agricultura mecanizada, mantém a ruína
vestigiante de uma lenda que se conta do Rei Chiquito.
Segundo uma lendária tradição, terá nascido aqui o Rei Chiquito. Era um
homem fogoso e turbulento, um político exaltado e dado a discórdias.
Quando os
beleguins o quiseram prender, assaltaram a casa, mas ninguém encontraram que
pudessem prender. Afastados e já longe, ouviram bradar duma janela: “Rei
Chiquito já cá está, quem quizer que volte cá”. E voltaram, mas nada! E o
jogo das escondidas repetia-se, sem que a personagem alguma vez caísse nas
mãos dos esbirros. Conta-se que a razão de tal ocultamento reside num túnel
de 150 |
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metros de comprimento que o proprietário construíra para refúgio que ia dar
a um soito e donde ele podia observar as diligências das buscas.
Conta-se que ainda o rei de Portugal, ao passar, se hospedara na casa de Rei
Chiquito e se admirara de este viver num pobre tugúrio. Rei Chiquito
comprometeu-se a construir uma casa grande e decente para hospedar o Rei de
Portugal, enquanto este se demorasse pela Beira. Tal proeza inusitada
aconteceu, durante os magros três meses que o rei andou por estas bandas. Ao
passar novamente por ali, ficou estupefacto com o empreendimento ricamente
construído em tão pouco tempo. Rei Chiquito respondera que assim acontecera
com auxílio de belzebu.
Passou Rei Chiquito a morar na mansão construída para receber o Rei de
Portugal e outra fã lá ficou para memória, como palheiro, dentro da vasta
quinta, encostado a um alto muro. A nova casa, espécie de pequenino
convento, é espaçosa. Tem um claustro ao centro, mas sem arte digna de nota.
A lendária Casa da Torre está muito próxima do local onde existiu o
cippreste que servira de refúgio a Diogo Lopes Pacheco, o Senhor de Ferreira
de Aves, que ali chegara de Coimbra, prófugo em resultado da perseguição que
D. Pedro I movia aos algozes de Inês de Castro, a cujo número o fidalgo
pertencia.
Numa das ruelas que, no sentido ascendente, vão dar à avenida principal
frente à igreja, à esquerda está situada casa de distinto oficial das forças
armadas que ostenta um gigantesca águia, que inspira ao bairro um tom de
grandeza e de exoticidade.
As infra-estruturas que a modernidade impõe à qualidade de vida estão todas
vincadas na Faia, mas sobressai a malha granítica que empalma todas as rua e
largos e orla e emoldura a mor parte das edificações.
A actividade da diminuta população fica-se pela agricultura possível,
distinguindo-se a vina e o pomar, as batatas e algum cereal. Tem assento a
conhecida casa de diversão, o pequeno comércio e a famosa oficina de
latoaria. |
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