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RDP  Feira Franca em Sernancelhe - em  05  de  Outubro  de  2003
 
Na Beira Interior, uma página de Aquilino por companhia e as serras da Lapa e da Zebreira por horizonte...

Navegar o Távora até à barragem do Vilar, celebrar velhas artes e paisagens...
com um naco de presunto, broa de centeio e vinho para a jornada.
Sem esquecer as castanhas e a Feira que as celebra, sem esquecer festas e romarias...

E, sempre, a filarmónica a abrir a celebração. E, logo, os cantos e as danças,
as histórias de desertificação e sobrevivência, e os desejos de futuro - que os homens são rijos como as granitos de Sernancelhe.

Em directo
Ao domingo, a rádio faz-se directa de qualquer lugar ou terra. E é também espectáculo e festa. Ali mesmo, à vista de toda a gente...!
As músicas são ao vivo. As palavras têm o sabor bom das conversas que se trocam entre amigos. Às vezes com cheiros de sonho e desejo, outras com travo de passados e futuros.
E tudo o mais que vier a propósito... como as cores das paisagens e dos passeios, a arte que se esconde por entre os dedos de um artesão, os sabores e saberes das cozinheiras velhas, as histórias habitadas pelo dia a dia da sobrevivência.
A banda vai passar por lá. E o
Feira Franca  terá a cor dos grupos etnográficos e a animação da festa que se faz espontânea e simples. Navegando interiores e litorais. À bolina, sul e norte.

     
E foi no dia 10 de Outubro que o programa em directo da RDP - "O Feira Franca" - transmitiu para todo o mundo directamente do Salão Nobre da Câmara Municipal de Sernancelhe, a vida, as vivências, os valores, as cores e sabores do concelho de Sernancelhe.
Foi um programa interessante de duas horas, que teve a colaboração de algumas entidades do concelho, nomeadamente as conhecedoras dos costumes e tradições, responsáveis políticos pelo progresso e prosperidade, referências dos sabores gastronómicos regionais, e os belos sons das filarmónicas e alguns acordeonistas locais.
 
O Sr Presidente da Câmara foi uma das figuras presente no programa, onde transmitiu a actualidade do concelho em termos de trabalhos realizados, obras a concretizar, as infra estruturas que o concelho já possui, e que oferecem uma boa qualidade de vida a quem habita e deseja viver na região.

Realçou também as belezas naturais que o território de Sernancelhe possui, e a grande riqueza monumental em Igrejas, solares e conventos  encontrados em quase todas as localidades locais.
   

Os principais valores patrimoniais e monumentais do concelho referidos no programa, foram detalhadamente e concisamente descritos pela funcionária da Autarquia Drª Josete, sobretudo o património arquitectónico da Lapa, a zona monumental de Sernancelhe, e o território de Fonte Arcada, também muito importante em termos históricos, e objecto de grande remodelação para breve da sua zona histórica.
   
     

A referência dos sabores gastronómicos coube à Dª Ludovina, proprietária do restaurante Flora de Sernancelhe, que detalhou a confecção  dos alimentos e doces típicos da região.

Desde as aves de criação, o porco caseiro, o cabrito do rebanho, a caça do monte, são ainda habitual alimentação que pouco vale se não houver o saber antigo e secreto da verdadeira cozinheira, referiu ela.

De grande importância os enchidos (salpicão e chouriça), o presunto, a bola de carne, a fêvera tenra assada na brasa, batatas a murro assadas em forno de lenha, o pão de centeio, o cabrito assado, etc... O vinho trazido em  jarro de vidro,
 borbulhante e fresco da adega ainda antiga, ou então uma garrafa de "Terras do Demo-Varosa", vinho de marca que proveio concerteza de uma das encostas soalheiras do concelho.

 


Também nesta altura do ano as castanhas cozidas e assadas, divinas sempre, e a maçã assada.



São segredo dos antigos, das avós, outros, segredos de antigas monjas que nos seus conventos do concelho eram especialistas em doçaria boa e tentadora de saborear - as filhós grandes e gostosas, as rabanadas do natal, o arroz doce e leite creme torrado, as cavacas (das freiras recolhidas de Freixinho) que sempre foram folar da Páscoa e prenda de excelência para gentes importantes.



Em Sernancelhe, e no meu restaurante "diz Dª Ludovina" recebemos bem o visitante e o turista, a porta está sempre aberta todo o ano, e quando cá vier almoçar ou jantar, diga-me que deseja um prato e uma sobremesa da terra, decerto ficará contente e bem deliciado.
E de certeza que em breve nos fará nova visita. 
   
Por sugestão do Sr Presidente, foi convidada para o programa, uma Sernancelhense, a Dª  Teresa Sobral Moreira Dias, que embora passe despercebida à população mais jovem, é uma representante dum símbolo da república Portuguesa instituída em 1910.

É filha do Sr Adão Cruz Moreira Dias, ilustre Republicano da época da Monarquia, que na altura representou e
foi responsável pela Proclamação da República em Sernancelhe no dia 5 de Outubro de 1910. Republicano convicto, participou também na campanha política de Norton de Matos e do General Humberto Delgado.

No periodo da 2ª Guerra Mundial foi um elo político responsável pela informação e divulgação das informações deste negro acontecimento. Na sua vida activa foi funcionário público da Câmara Municipal e tesouraria.
A "Teresinha Sobral", assim apelidada pelas sua amizades mais íntimas, iria divulgar neste programa de rádio a importância e posição do seu Pai nas mudanças políticas do século passado, mas por escassez de tempo de antena e talvês esquecimento do repórter, a condução da sua reportagem direccionou-se para outros assuntos de menos importância do que para aqueles a que  a "Teresinha" foi convidada.
     

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