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O Recolhimento de Nossa Senhora do Carmo de Freixinho
 

Na povoação de Freixinho, sita na encosta sul “de anegrado e pedregoso monte” – como escrevia o Abade Vasco Moreira – ergue-se o recolhimento de

Nossa Senhora do Carmo, de religiosas sem clausura e sem votos solenes. Todavia sempre se comportaram como se de um convento se tratasse, não saindo sem autorização expressa do Ordinário Diocesano.

É o edifício um casarão comprido, de estreitas janelas que assomam a uma cerca de razoáveis dimensões.
Dispunha de algumas celas, longos corredores, cozinha, refeitório e outras dependências. Ainda se vê ao centro o claustro de formato quadrangular emuldurado de varandas cujo vigamento em que predominava a madeira se apoia em colunas de granito de feição muito singela.

Adjacente se topa a Igreja, cuja traça exterior condiz com a do resto do imóvel e que se distingue pela cruz que sobrepuja o pórtico de entrada e de que sobressai com laivos de altaneirismo a torre característica.

Fora o recolhimento erecto para proporcionar um estilo de vida comum a uma esmerada educação às raparigas da região não longe dos pais ou tutores. 

Anulada a sua finalidade com a medida extintória de 1834 e despojado o templo de suas imagens e altares em consequência da implantação do regime republicano em 1910, o imóvel passou por um longo período de “deserto”, entregue à rotina da apetência familiar.
Mas há uns largos meses a esta parte, pela visão e esforço dos actuais proprietários, foi transformado num confortável e condigno hotel rural que polariza um importante centro de atracões de visitantes que reúnam pelo menos as características da satisfação do gozo de merecido repouso e do bom apetite gastronómico.

A igreja documentava com inscrições em pedras tumulares os óbitos, no ano de 1704, de: D. Maria de S. Francisco, em 12 de Fevereiro; João de Gouveia Couto, o fundador em 13 de Julho; e D. Paula do Presépio, em 28 de Dezembro.

O Recolhimento foi fundado nos finais do século XVII por pessoa da localidade.
E, a despeito da sua modéstia, dava muita vida ao povoado.

A sua extinção significou uma perda, daquelas que o próprio Almeida Garrett lamentava, já que com esta instituição desapareceu uma fonte de educação, de sucedâneo difícil de encontrar, destinando-se, como obviamente sucedia, a pessoas de magros recursos económicos que, fora do seu meio, não lobrigavam forma de se instruírem em sítio de maiores exigências.

 

         

       Texto:       Da Varanda do Távora - página 72
                       Sernancelhe na Marcha da Torrente
                            Abílio Louro de Carvalho
                
 Edição Câmara Municipal de Sernancelhe 2002

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