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A Ponte do Medreiro
 

   
Existe um caminho, agora alcatroado, que desce de Sernancelhe em direcção ao rio Medreiro e moinhos que só deixaram de moer há poucos anos. Por aqui sempre seguiram as pessoas para as quintarolas da Cardia, mais a longe.
Atravessavam então a ponte do Medreiro, hoje quase inútil na serventia, mas de interessante traça que lembra, na sua construção do século XVII ou XVIII as pontes românicas, poética e sugestiva como elas na idílica paisagem.

O aro do povoado antigo se continuarmos, revela, aberta contra o nascente, uma janela cuja cantaria lavrada se insere mal no muro rústico. As arestas biseladas, a patine, o arcaísmo, vão para um século XVII recuado. Um cedro gigante que ensombra o lugar sugere um ar romântico e leva quase a inventar uma história de amor.

Do outro lado do caminho sobressai um pórtico de boa cantaria com cornija de bom lavor, resto de edificação gémea da perdida mansão da janela estranha que uma tradição forte liga à família do Marquês de Pombal.

Há ali perto um nichozinho com uma Senhora da Piedade e mais adiante um pequeno largo com um Cruzeiro.
É a Cruz da Calçada, referência para o caminho antigo que decalcava porventura uma via romana e levava ao rio Medreiro as lavadeiras e as mulheres que carregavam água da fonte de mergulho, de arcatura geminada, aberta sobre a margem do rio, perto de uma capela alpendrada que espera agora o levantamento da ruína.

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