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Deixemos o Senhor Agostinho e família continuarem no seu trabalhinho, apesar de terem sido hospitaleiros e nos terem convidado a comer um pouco do bom presunto e pinga que traziam no farnel.
Aliás temos anda um longo caminho a percorrer e se for assim cheio de curiosidades, bem se faz noite e não chegamos a bom termo de dia.

E eis que, dois minutos depois de nos afastar-mos destas simpáticas pessoas a trabalhar, depara-se-nos à frente, um povoado muito pequeno, rústico, quase todo em granito e com uma capelinha.

Até lá chegar-mos ainda vamos atravessar um pontão que atravessa a linha de água que atrás referi, com águas tão translúcidas, e recheadas duma flora ribeirinha tão bonita e tão bem cheirosa,
que parece impossível ainda existir neste mundo tão poluído. Tentámo-nos a matar a sede bebendo um pouco desta água tão fresca e apetecível: valeu a pena...A água que não tem sabor, aqui torna-se aromática e gostosa; não há como cá vir experimentar.
Não entrando ainda na aldeia, vamo-nos deliciar com os terrenos envolventes do lugar.

Que contrastes de cor se podem admirar, como é possível a natureza ser tão linda! e estes diversificados perfumes ao longo do caminho que vamos percorrendo, fruto da diversidade de flora encontrada?
Os animais que podemos observar nos pastos, bem parecem comungar deste aparente  delirio que se impõe e absorve o nosso olhar e os nossos sentidos.
São Roque é um povoado anexo da Freguesia de Vila da Ponte. Vivem aqui cerca de meia dúzia de pessoas.

 
São característicos neste território grandes lages de granito, impressionantes pelas suas dimensões. A minúscula capela é conservada pelos seus habitantes, aliás na altura da nossa visita, estão a ser executadas obras de conservação.

Lá dentro possui um modesto altar, fruto de arte popular possivelmente do século XVIII.

A população local é muito hospitaleira e simpática. Talvês porque nos conhecessem, ofereceram-se de imediato a dar-nos a beber uma pinga da colheita local, guardada nuns pipos de castanho, já muito antigos,

 numa pequena adega com um lagar muito rústico em granito. Deram-nos a provar pão centeio, cozido no forno colectivo da povoação.
Mas...nem tudo o que luz é ouro. Parte destes habitantes são meus doentes.

A D. Maria tem diabetes, já com grave insuficiência pancreática, o que significa ter indicação para insulinoterapia. Ninguém aqui sabe ler e muito menos ver os números das canetas de insulina. De modo algum abandona a sua casa.

Há um ano optou por vir 2 vezes por dia a Vila da Ponte a pé, à Farmácia tomar a  insulina mas depressa se cansou. Vive descompensada e sem ter alguém com instrução que lhe dê este apoio tão simples...

 
Deste nosso passeio, acompanha-me a minha esposa, o meu filho Miguel e o meu sobrinho Marito.

Conversamos com esta gente por algum tempo, atentos às histórias que iam contando (desde antigos que se esconderam em lages lá para cima no monte, para fugirem à polícia, na altura em que foram recrutados para a 1ª Guerra Mundial) aos problemas que as  envolvem, nomeadamente o isolamento e dificuldades de acessibilidade dum automóvel ligeiro ao local. E mais tempo estaríamos se não fosse o Miguel e Marito a chamarem-nos, sentados à porta de um palheiro e desinteressados destas conversas que nada lhes dizem...
 
     Venham que já é tarde. O Seixo é aínda muito longe. Venham.
 


Começamos novamente a subir monte, a a apreciar a diversidade de filmes naturais  que ia-mos apreciando ao longo do percurso, e a deliciarmo-nos com as transformações interessantes de grandes pedregulhos e penedos que a mãe natureza foi sabendo esculpir ao longo de milhares de anos, através da natural erosão, muitas vezes servindo de abrigo às intempéries, a alguns pastores.

 

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