Voltar 

 
Penedias recheadas de árvores; uma beleza que em simbiose transmite vida, vitalidade, encanto e serenidade.
Vales verdejantes e férteis, verdadeiro encanto da natureza.
 
A nossa viagem prossegue, mas por cada passo que avançamos, naturezas diferentes vamos observando, mas...qual a mais bonita?  Ficamos verdadeiramente confusos. Quando vamos a uma perfumaria escolher um perfume do nosso agrado
experimentamos um que nos seduz, depois outro, outro, e o nosso olfacto fica confuso. Afinal qual é o melhor? Não sei.

Tanta imagem, tanta cor, tantos sons, tantos perfumes, qual o momento e o local que mais intensamente ficaram gravados na minha retina? Não sei.
Passou uma hora desde que começamos a nossa viagem, temos a sensação que o tempo voou, o nosso desejo é que faltem muitos,  muitos

 quilómetros até ao Seixo, mas que não anoiteça. Que mais surpresas teremos à nossa frente?
Um burrinho perdido, coitado; muito meigo, e como que a pedir: levem-me daqui, fui abandonado pelo meu dono...
Esfomeado e no meio dum pinhal; empurrámo-lo até um prado com ervas e deixou-se conduzir. Sentia-se mesmo uma carência afectiva nele, mesmo sendo irracional. Cego dum olho e velho; porventura foi abandonado pelo seu dono...
Tirania do ser humano...
Nos percursos que fomos efectuando neste local nos meses seguintes, lá encontrava-mos sempre o burrinho no lameiro, um pouco afastado do caminho que seguíamos. A passar por ele chamava-mos - Olá Burrinho, Olá Burrinho...
 E ele em tom de satisfação arrebitava as suas orelhitas, como que a agradecer a atenção que tínhamos tido com ele, e de certeza que éramos as única almas vivas que lhe prestava atenção.
A viagem prossegue, as surpresas continuam.
Chegamos a um cruzamento. Em frente vamos para o Seixo. Á direita se atravessar-mos a ribeira, e subir monte acima, vamos ter à Sarzeda. A ribeira corre em lajes de granito, salpicada com arvoredo no seu território, e avista-se o seu fundo com areias límpidas através das águas cristalinas.

É rica a vegetação com pequenas plantas esverdeadas e flores esbranquiçadas nos seus bordos. Tentámo-nos a matar a sede nesta água pura.
Cerca de cinquenta metros mais acima afigura-se-nos por uma distância

de mais de um quilómetro, uma extensa planície, que há primeira vista mais parece uma ilusão na nossa retina já tão preenchida de cores, do que uma realidade que é natural, como que sendo um jardim muito bem tratado, ou então... uma miragem!!!!.
Não, nem ilusão, nem alucinação, nem jardim, nem miragem.

É a natureza espontânea, sem sementes, regas, adubos ou fertilizantes.

Que contrastes tão bem equilibrados e dimensionados; decerto que o melhor dos jardineiros, não conseguiria ultrapassar esta "miragem da Natureza" feita pela mãe natureza.
A direita, lá longe e do outro lado do rio vemos a Quinta do Carvalhal, uma quinta abandonada, mas cujo complexo de habitações integradas naquele conjunto, traduz certamente uma rica propriedade agrícola em tempos de outrora. 

 
O Seixo aproxima-se, e cremos que no espaço de quarenta minutos lá chegaremos, onde estará o meu outro filho, o Tiago, com o automóvel para nos levar de retorno até Vila da Ponte, via Chosendo.

Há mudanças abruptas na paisagem: surgem uns vales profundos, muito húmidos, com características de lameiros; logo a seguir um denso pinhal, e eis-nos chegados a um caminho agrícola, um pouco turtuoso, e sem grandes declives, onde já se avista a aldeia do Seixo.

 

  Voltar