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Finalmente Seixo à vista; a caminhada já dura há duas horas, estamos com as pernas moídas, mas se fosse necessário, voltaríamos a percorrer o mesmo itinerário.
Entramos no território da labuta agrícola do Seixo.
É bem notório o brio e cuidado com que os habitantes da aldeia tratam as suas terras. Tudo muito bem parcelado e simétrico; não há silvas ou terrenos a monte. Em todos estes espaços se evidencia uma certa sequência agrícola: uns estão bem lavrados, outros com estrume, mais outros com plantações de verduras próprias da época. É de notar também nestes espaços o uso de animais domésticos para as lidas agrícolas; ao longo deste corredor de aproximação à aldeia foram vários os carrinhos atrelados a burritos que observamos; interessante, é certamente   ainda tradição actual da aldeia.
 
Durante este percurso de aproximação, fomos assustados com o latir de três cães de muito grande porte, tipo pastores alemães, inseridos num largo gradeamento a guardar o seu rebanho de ovelhas.

Com certeza que se saíssem do seu espaço de circunscrição, e nos mostrassem o seu rancor e força, bem nos esfacelavam.
O que é facto, é que num outro giro que fizemos mais tarde por este mesmo local, trouxemos a nossa pequena cadelita, a Rita, que por acaso estava com o "cio". No mesmo local lá encontramos os majestosos cães, todos cheios de opulência, dominância e temor a quem se aproximava.
 
 A nossa Ritinha, toda cheia de calma, entrou para dentro da propriedade das ovelhas guardadas pelos monstruosos cães, e estes perante a pequenina cadelita com cheiro a cio, redimiram-se e seguiram-na com uma infantilidade e obediência como se fosse a patroa da propriedade.
Está visto como é que os ladrões que assaltam casas onde existem cães de guarda, usam cadelas com o cio para os dominar; que interessante é a natureza.
Chegámos finalmente à ponte do Seixo junto à escola.
Valeu a pena o passeio. Parece que saímos dum mundo da ficção, mas não,      
                                                                                                             é o interior selvagem de Sernancelhe.
 

              
                                                                                                                                António Canotilho

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