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                                                                                                       Pelourinho de Sernancelhe
 
 

O pelourinho manuelino do tipo dos de gaiola, de muito alto fruste granítico, ostenta a data de 1554, precisamente na base da sobredita gaiola que encima o monumento, simbolizador da identidade municipal.
Este elegante monumento do século XVI é “dos mais interessantes da região não só pela sua feição artística mas também pela sua altura descomunal” pois mede mais de 9 metros e meio, como assevera o Abade Vasco Moreira.

Ergue-se perante a casa da família Fraga de Azevedo, obra de boa cantaria, que foi em tempos bem recuados a Casa da Câmara e da Cadeia.

Mas, por melhor e mais proveitosa análise do monumento, sigamos de perto o trabalho

informativo de Júlio Rocha e Sousa, com as alterações que a nossa pena achou convenientes.

A coluna do pelourinho eleva-se sobre uma plataforma em quatro degraus octogonais de talhe liso.
O fuste, de semelhante configuração, nasce de uma abertura de base quadrada e crava-se nela com que por espigão. É constituído por uma só pedra e mede 6 metros. A altura do capitel com o pináculo é de um metro e meio.
O degrau inferior tem sensivelmente um palmo de altura, o segundo palmo e meio e os outros dois, dois palmos cada – o que somará uns dois metros de alto.
O fuste, à altura de dois metros, é cingido por uma cinta de ferro de 25 mm de largura.
Esta cadeia servia para a ela se atarem os criminosos e dali serem expostos à execração pública, antes de serem executados na forca, que ficava no lugar

de que  ainda resta o topónimo, no sítio que se segue ao Largo de Aquilino Ribeiro.

A parte superior da coluna de alto porte dispõe de cercadura concordante de duplo  filete.
O capitel é um tronco piramidal invertido de oito faces, consta de
astrágalo e ábaco e tem gravada a data a que já fizemos alusão.

A gaiola possui oito
colunelos em apoio vertical. São peças de bom pormenor, de forma cilíndrica, com anéis equidistantes, sobre o segundo dos quais se eleva o pináculo que encima a cúpula. Ao centro, a gaiola tem um pilarete cilíndrico.
A cobertura, de acentuada inclinação, é
orlada por bordo a que se encostam os referidos colunelos e é provida de quatro filetes, com engraçados lavores a alternar com pequenos castelos.
No pináculo, assenta uma grimpa férrea, a que estivera ligado um catavento já desaparecido, e ainda com a pequena cruz, que ainda se vislumbra.

O pelourinho, com a actual configuração, resulta de uma reformulação no reinado de D. João III, em que perdeu a
sua função de
picota-prisão. No início da década de 50, do século XX, mais precisamente em 1952, o mestre Manuel Domingos Chaves vem a executar a coluna na gaiola com os colunelos que lhe faltavam devido à erosão do tempo.
Opera também alguns trabalhos de consolidação no monumento.


O pelourinho foi considerado como imóvel de interesse público pelo decreto nº 23122 de 11 de Outubro de 1933.

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