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                                                          Localização
 

 


Fica a Vila a 53 quilómetros a norte de Viseu, a sede do distrito, e a 50 de Lamego, a sede da diocese e Agrupamento dos Municípios do Vale do Douro-Sul. Tem a freguesia 1191 habitantes distribuídos por 391 fogos e é de 923 o número dos seus eleitores. Situa-se na margem direita do rio Távora e dela podemos sair, pela estrada nacional nº 229 para Penedono, se em direcção ao Douro, e para Viseu, se quisermos continuar pela Beira Alta. No sentido de Viseu, ao entrar-mos na estrada nacional nº 226, podemos rumar a Lamego ou à Guarda. A vila entra em contacto rápido com as outras freguesias do concelho por meio de uma rede de modernas estradas municipais.

                                           

Pode começar a nossa deambulação pelo cimo da vila. E o que de imediato nos cha à atenção é a Porta do Sol e aquilo que a acompanha ainda: traços de casaria de um lado e do outro, as escadinhas, os estreitos arruamentos novos, a zona de canteiros ajardinados, o parque das merendas e o Monte do Senhor do Castelo.

                                           

A Porta do Sol, aberta na cerca da medieva muralha do castelo pode ser a primeira imagem a olhar numa proveitosa deambulação pela vila, a querer mostrar a memória das origens, nem sempre plena de clareza e ilustração, construída em tempos imemoriais pelos íncolas das cabanas neolíticas, sucedida pelo vestígio mal visível de um castro da Idade do ferro, continuada provavelmente por um templo romano, por um templo suévico ou visigótico e assinalada pelo tempo da guerra dos muçulmanos que se derrama no imaginário popular através de tantas lendas e outras narrativas. Localizava-se provavelmente dentro da muralha a capela de S. Pedro, peça artística religiosa de que há memória, ainda que sem vestígios. Hoje por alcantilada escadaria chegamos ao monumento ao Coração de Maria, no alto do Monte do Senhor do Castelo, onde se conserva referência gravada de todas as freguesias do concelho, datada de 1957.

Sernancelhe é, pois, um povoado com raízes em tempos remotos, testemunhadas de muitos modos. Foi uma terra com muitos privilégios, como se pode inferir no número de moradores fidalgos que aqui assentaram arraiais e construíram os seus palácios. São inúmeras as casas nobres, como se deduzirá de um ameno e aprazível passeio pelo interior da Vila.

                                                                

Subindo junto ao cruzeiro do Senhor do Castelo, um templete do século XVII, que acolhe sob o seu tecto um Cristo gótico, transpõe-se a Lina de uma quase desaparecida muralha que conserva intacta a nascente e a norte os muros que foram o firme alicerce das torres certamente edificadas em pleno século XII, por D. Egas Gosendes, o rico homem que, em 26 de Outubro de 1124, outorgou a esta Vila o primeiro foral. Já o testamento de D. Flâmula, no século X, e o inventário da condessa Mumadona, no século XI, documentam a existência do castelo, hoje praticamente perdido nas brumas da memória. E o seu primeiro foral régio foi outorgado por D. Afonso II, em 1220, a confirmar sem alterações o anterior. Em 10 de Fevereiro de 1514, D. Manuel I dá-lhe novo foral, que não traz significativas alterações em relação aos anteriores, a não ser algumas disposições a obrigar lavradores com posse de bois e vinicultores de notórios recursos.

                                          

Do alto do monte, divisa-se, entre sul e nascente, em território planáltico o primeiro povoado histórico de Sernancelhe, enquadrado pela sumptuosidade discreta da igreja matriz, cujo recinto envolve, aqui impropriamente denominado por adro, foi o palco privilegiado da actividade cívica do burgo, a grande praça da convivência comunitarista até ao alvorecer do movimento liberal, que a vila e seu alfoz recusaram de pronto. Vamos fazer uma primeira estação para contemplarmos com o natural embevecimento um verdadeiro escrínio de arte portuguesa.

 

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