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                                            Voltando ao Centro da Vila
 

 


Quem reentrar no Centro Histórico, pela corredoura donde mirámos a capela da Senhora dos Prazeres, percorrerá a Rua António Ribeiro Saraiva, honra do grande diplomata, escritor e poeta, político que não se rendeu ao triunfo do movimento liberal, acérrimo crítico dos homens que circundaram o vencido D. Miguel, sobrevivente que se deixou finar na amargura do exílio de Londres de 1890. Sua casa de família, ao lado direito de quem sobe, é simplesmente uma abastada mansão em cujos corpos conexos se inscrevem duas janelas de um manuelino tardio, umas portas de arestas biseladas e escadarias de pesadas guardas a lembrar o também pesado século XVII. Uma pequena capela, com brasão de família estabelece ligação com o adro, praça onde se volta quase instintivamente.

                                            

O Centro Histórico, no dizer de Cândido de Azevedo, “com a futura biblioteca e o artístico e altaneiro pelourinho em frente, a admirada e invejada Igreja Medieval ao lado; o Palácio dos Carvalhos (evocativo do Marquês do Pombal) a nascente; o Auditório Municipal – antigo palácio dos Cortezes e Câmara Municipal – a deslado; e as ruínas veneradas do Palácio dos Soverais ao norte”, com a casa da Comenda, - constutui um “raro conjunto de Monumentos cheios de grandeza e carregados de história e arte, que lhe dão um ambiente de superior encanto e um halo de carinho e pulcritude que transportam às regiões do sonho e aos paramos da felicidade” (Passe a hipérbole saborosa!).

                                            

No século XVIII, a vila cresceu para sul. Fidalgas casas de longas fachadas ajudam a definir um reticulado de imprecisos contornos que teima em reservar neste perímetro urbano uma considerável mancha de quintais para cultivo. Ao fundo do Castelo, onde entroncava a calçada que ascendia de Vila da Ponte, por entre soutos, mereceu honras ao largo que enquadra o palácio dos Corteses (cujo brasão se encontra totalmente liso, porque totalmente picado a quando da implantação e proclamação da República), em que esteve instalada anos e anos a Câmara Municipal. Hoje o edifício, devidamente recuperado e adaptado, ostenta o título de Auditório Municipal e como tal tem prestado já um rol de excelentes serviços à causa da cultura. Integra o complexo do Centro Histórico da vila que passou recentemente por uma série de intervenções, por virtude da execução do plano de pormenor para o efeito elaborado e que logrou estabelecer a simbiose entre o que aos sernancelhenses foi legado como fruto da tradição ancestral e aquilo que o futuro de convívio e animação lhe queira proporcionar, na recordação agradável do que foi a vila imaginada e edificada pelos seus avoengos. O Auditório Municipal pretende ser outrossim o germe de outra série de realizações que o Município tem em curso na zona contígua ao centro Histórico: o Centro de Artes Municipais, com a casa do artista, o museu, a biblioteca, o espaço infantil e outros.

                                            

Do referido largo para a Avenida Abade Vasco Moreira, ilustre investigador, que teve o berço em Sernancelhe e cuja história escreveu na monografia publicada em 1929 e cuja edição facsimilada a Câmara deu à estampa em 1997.

Sernancelhe continua como Vila que se entrega ao Comércio e aos Serviços, o ponto de confluência de um bom número de pessoas que se dedicam, uns a uma agricultura de subsistência, outros a uma agricultura mecanizada, o cruzamento de uma já significativa actividade industrial. Enfim, é uma vila que teima em persistir neste interior cada vez menos inóspito!

Descendo a rua Dr. Oliveira Serrão, teremos: a um lado, a sede da Associação dos Desportos Náuticos de Sernancelhe (onde durante muitos anos esteve instalada a Casa do Povo), a nova sede dos Serviços Locais da Segurança Social (de controversa arquitectura, embora muito funcional), o edifício dos Correios (obra de 1937) e o da Portugal Telecom (um edifício que mais parece uma mal ajeitada capela); do ouro, as futuras instalações do Centro de Artes Municipais, legado do Senhor Herculano da Costa Alves ao município, a Casa do Lavrador e o Posto de Turismo.

Quem entrar na vila, provindo de Lamego ou de Viseu pelo Fundo do Granjal, fica surpreendido com o renovo urbano. O novo edifício dos Paços do Concelho, desafogado equilibrando-se na sua envolvência entre a arquitectura tradicional e algumas unidades de moderna construção, arvora-se em símbolo da transição audaz de um tempo velho de marcas indeléveis para um futuro de horizontes mais rasgados e pródigos dos benefícios da civilização e da cultura. É claro que deixamos para trás, que não o olvido, espaços de produção industrial, de comércio cooperativo, de unidades de convívio e lazer, da zona de armazenagem e de trabalho dos funcionários do exterior do município.

                                          

Mas, enveredando pela Avenida das Tílias, passamos pelo Largo de Aquilino Ribeiro, prolífero e fecundo escritor destas bandas beiroas, onde se implantou a sede da Junta de Freguesia, ao pé do morro da forca, onde eram executados os condenados à pena capital. Dão vida a este centro vital os restaurantes e cafés, as agências bancárias, o pequeno Hospital da Misericórdia (onde hoje funciona o Centro de Saúde), o Lar da Terceira Idade, as Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico. A Piscina Municipal com seu agradável perímetro envolvente de desporto e lazer permite-nos uma saída rápida e discreta, seja para a variante da Estrada Nacional nº 229 rumo ao Douro ou à sede do distrito, seja para a ermida da Senhora de Ao Pé da Cruz.

Em sentido contrário, deparamo-nos com uma vistosa e moderna entrada na vila, enquadrada por uma funcional rotunda, donde poderemos derivar para uma nova zona residencial e comercial, encimada pela Escola Profissional de Sernancelhe. Esta instituição de ensino e formação profissional foi criada em 29 de Julho de 1993 e está instalada, desde 27 de Setembro de 1993, no edifício que foi construído para o Colégio do Infante Santo, criado em 1966, para a Escola Preparatória de José Gama e Castro (criada em 1971), para a Escola Secundária de Sernancelhe (criada em 1975), para Escola C+S, resultante, em 1988, da fusão das duas anteriores. Dela se divisa o novo espaço organizado para a feira quinzenal, o terreno para o novo Centro de Saúde e outros equipamentos de utilização colectiva, novos bairros habitacionais e comerciais, a Ponte do Rio, com a capela, a fonte e a via pedonal, já referidas.

Mais adiante, a rua de Jacou, em consequência da celebração do acordo de geminação com aquela comuna francesa, do distrito de Monpellier, orlada de um harmónico conjunto residencial e comercial, encaminha-nos ou para o pavilhão desportivo Padre João Rodrigues (ilustre missionário sernancelhense, diplomata e comerciante no império de Japão e no de China, formado na Casa da Companhia de Jesus em Goa e sepultado em Macau) e praça da mesma denominação, com o monumento evocativo da presença dos Portugueses no Oriente; ou para a Escola EB.2,3 de Sernancelhe (antiga Escola C+S), instada aqui na Veiga desde 20 de Janeiro de 1992; ou ainda, para nova unidade industrial de peso em termos de trabalho em granito (ladeada pelo esquecido nicho do Senhor da Veiga, a quem os romeiros e os feirantes tiram respeitosamente o chapéu) e a saída da vila rumo quer a Penedono quer ao Estádio Municipal da Pedreira e ao Campo de Tiro.

O perímetro urbano alargado da vila que agora parece findar por aqui, junto à Escola EB.2,3, na Praça da Paz e da Amizade, vai ter continuidade e a sua expansão também para este flanco, num futuro muito próximo, quando se der execução ao plano geral de urbanização de Sernancelhe, que se encontra em fase de elaboração para conveniente apreciação e posterior aprovação.

 

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